on sexta-feira, 24 de abril de 2020
Eu durmo com a porta fechada. Eu passo a trinca duas vezes! Tudo isso por causa daquele pinga pinga. Ele começou quando me mudei e nunca parou. Não adianta. Nada parece querer segurar a água que escorre sem parar pelo chuveiro do banheiro do meio. Eu confesso, me dá arrepios aquele "ping....ping..." da gotícula de água caindo em algo que já está molhado. Ok. Vou fechar o registro de água. O registro fica em uma caixa na parede, em cima do meu tanque. Quando abri a caixa, encontro um buraco que aparentemente conecta todos os andares do prédio. Onde isso vai dar? Será que alguém passa por ali? E se eu tentar falar com alguém? Eu não sei se você já assistiu Parasita, mas e se alguém morar lá no fundo daquele grande buraco por onde passa meu cano de água? Eu escuto barulhos. Parece algo sorrateiro. Rápido. Eu paraliso. Mãos enormes, marrom esverdeadas e com unhas longas seguram pela borda da caixa de água. Dou um passo para trás. Dois olhos amarelos começam a aparecer e me encaram profundamente. Escuto uma respiração pesada. Meu coração acelera e penso em tudo que vivi em 23 anos. Mãe, eu ainda nem te dei orgulho!! Eu deveria correr? Meu apartamento tem só 50 metros quadrados. Eu nem consigo pular! Tem rede em todas as janelas. Eu vou morrer. É isso... Eu pisco meus olhos. O registro amarelo me encara como quem diz "e aí dona, vai me fechar ou não vai?". Eu fecho o registro. Tampo a caixa. Corro para o meu quarto. Desde então eu durmo com a porta fechada. Eu passo a trinca duas vezes!!

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