Eu sabia, meu corpo respondia de
uma maneira tão familiar a tudo isso. Desde o momento em que consegui gravar
impressões sobre algo pela primeira vez eu soube que havia algo estranhamente
familiar nestas sensações.
Eu cai, tudo estava tão quente,
tão claro de uma maneira sombria. Não sei por que acendi todas aquelas velas.
Eu estava com medo. Medo do escuro, de ficar sozinha, de ficar com alguém, medo
de não conseguir aguentar a mim mesma e aos meus problemas. E eu sempre senti
um certo conforto próxima ao fogo, pois ele era exatamente o oposto daquilo que
sempre temi.
Aquele acidente quando criança,
aquilo só afirmou ainda mais o meu medo. Foi no mesmo lugar, de uma maneira tão
parecida. Mas naquela ocasião fui salva, como se para viver um pouco mais. Mais
20 anos para ser exata, 20 anos de sofrimento, de problemas. Aquela queda, toda
aquela água ao meu redor. Eu sempre soube, sempre. Até mesmo nos banhos eu não
conseguia permanecer por muito tempo, as praias nunca foram meus locais
preferidos.
Eu sempre soube. Soube que
morreria aqui, nessa piscina, novamente, afogada. É o meu destino, sempre foi e
meu corpo possuía um certo afeto por ele.
Não está doendo, tudo é tão
bonito aqui embaixo, tão azul, mal consigo ver o fogo que domina minha casa
agora. Aquelas velas, estava tudo tão
bonito. Pensei que havia me salvado de todo aquele fogo ao correr para fora.
Mas não percebi, não havia realizado que morreria de qualquer maneira, fosse no
fogo ou na água. Minha hora havia chego e morrerei aqui, na mesma piscina de
minha infância, no mesmo lugar onde havia sido salva.
As cores estão se misturando. Um
arco-íris tão belo está se formando. Se isso for à morte digo que ela é tão
bela quanto a vida, quero ir, ela é tão fascinante. Ah, se eu soubesse teria
caído nessa piscina antes.
11 de Setembro de 2012