Súbita distração

on domingo, 9 de junho de 2013

Abri a carteira, pequei dois reais e paguei o pão de queijo. Larguei o troco em cima da mesa e sai, distraída, pelas ruas. Quando se anda sem rumo é mais fácil perceber as expressões, as conversas alheias. Tantos discutindo trabalho, poucos discutindo a relação, uma quantidade demasiada de pessoas preocupadas, assim como eu, com a vida alheia - o comportamento de fulana, suas novas roupas, manias, seus novos posts nas redes sociais.
Mas, passou ao meu lado uma senhora, que olhava e observava como eu as pessoas que por ela passavam, e neste momento senti que não era a única, que existem outros, outras, que passam pelos locais e guardam memórias de cada rua, cada esquina, cada rosto, que lembram sem pestanejar de um cheiro ou olhar.
Foi neste momento que vi, que existem outros que não veem sentido em algumas ações, que não compreendem algumas atitudes do ser humano, outros que não são egoístas como aqueles que esbarram em alguém sem ao menos se desculpar, que caminham pelas ruas com viseiras para não enxergar o que se passa em sua proximidade, que coloca os fones de ouvido para não escutar as vozes de quem não conhece.
Tantos outros que assim como eu perceberam a vida nas simples coisas, que deixaram de valorizar aquilo que é comum, para viver de forma diferente.
E no meio de tantos pensamentos vi uma luz vermelha se acender, e é, acho que é melhor voltar a insignificância de não observar o outro, antes que eu acabe atravessando um sinaleiro,
E assim guardei a carteira e segui por entre as ruas com o fone de ouvido, sendo aquilo que há minutos antes havia criticado.

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