Conto #1

on domingo, 16 de setembro de 2012

Eu sabia, meu corpo respondia de uma maneira tão familiar a tudo isso. Desde o momento em que consegui gravar impressões sobre algo pela primeira vez eu soube que havia algo estranhamente familiar nestas sensações.
Eu cai, tudo estava tão quente, tão claro de uma maneira sombria. Não sei por que acendi todas aquelas velas. Eu estava com medo. Medo do escuro, de ficar sozinha, de ficar com alguém, medo de não conseguir aguentar a mim mesma e aos meus problemas. E eu sempre senti um certo conforto próxima ao fogo, pois ele era exatamente o oposto daquilo que sempre temi.
Aquele acidente quando criança, aquilo só afirmou ainda mais o meu medo. Foi no mesmo lugar, de uma maneira tão parecida. Mas naquela ocasião fui salva, como se para viver um pouco mais. Mais 20 anos para ser exata, 20 anos de sofrimento, de problemas. Aquela queda, toda aquela água ao meu redor. Eu sempre soube, sempre. Até mesmo nos banhos eu não conseguia permanecer por muito tempo, as praias nunca foram meus locais preferidos.
Eu sempre soube. Soube que morreria aqui, nessa piscina, novamente, afogada. É o meu destino, sempre foi e meu corpo possuía um certo afeto por ele.
Não está doendo, tudo é tão bonito aqui embaixo, tão azul, mal consigo ver o fogo que domina minha casa agora. Aquelas velas,  estava tudo tão bonito. Pensei que havia me salvado de todo aquele fogo ao correr para fora. Mas não percebi, não havia realizado que morreria de qualquer maneira, fosse no fogo ou na água. Minha hora havia chego e morrerei aqui, na mesma piscina de minha infância, no mesmo lugar onde havia sido salva.
As cores estão se misturando. Um arco-íris tão belo está se formando. Se isso for à morte digo que ela é tão bela quanto a vida, quero ir, ela é tão fascinante. Ah, se eu soubesse teria caído nessa piscina antes.

11 de Setembro de 2012

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